Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem  alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo :  “Fui  eu ?”

Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

aaa. aaa aab aac aad aae aaf aag aah aai aaj aak aal aam aan aao aap. aapp aaq aar aas aat aau aav aaw aax aay aaz aba abb
Igreja: Basílica de Santo Antônio
Cerimonial: Le Buffet
Dia da Noiva: Ricardo Magalhães
Banda: Eduardo Santa Clara
Filme: Eduardo Gaurink www.casamentodecinema.com.br